Entrega segura de alimentos: o que precisa saber sobre transporte e temperatura
A comida está pronta, o pedido está completo, mas ainda podem surgir problemas no caminho. A temperatura é o fator de risco mais subestimado no transporte de catering. Demasiado quente, demasiado tempo, ou sem o armazenamento adequado e vai entregar um problema em vez de uma refeição. Estas são as regras básicas que precisa de ter em ordem.
As duas zonas que não deve confundir
A segurança alimentar durante o transporte assenta em dois princípios: manter frio o que deve ficar frio, e manter quente o que deve ficar quente. Parece simples, mas na prática as coisas correm mal no momento em que carrega ambos no mesmo veículo sem pensar no armazenamento.
Os pratos frios devem permanecer abaixo dos 7°C. Os pratos quentes são seguros acima dos 60°C. Tudo o que fica entre estes valores é a zona de perigo: o intervalo de temperatura onde as bactérias se multiplicam mais rapidamente. Quanto mais tempo os alimentos permanecem nessa zona, maior é o risco. No transporte de catering, o tempo nessa zona é o seu principal indicador.
Quanto tempo é aceitável?
A regra geral na maioria dos códigos de higiene: os alimentos podem passar no máximo duas horas na zona de perigo, acumuladas ao longo de toda a cadeia, desde a produção até ao serviço. Parece bastante, mas com o catering no local acumula-se rapidamente. Preparação na cozinha, carregamento, condução, descarregamento, montagem. Antes de se dar conta já está numa hora sem que nada tenha corrido mal.
Mantenha uma cronologia para cada evento. Quando está a comida pronta? Quando sai o veículo? Quando se serve? Uma vez que esses horários estão no papel, pode ver imediatamente onde estão os pontos de pressão.
O que precisa para um transporte seguro
Não precisa de um veículo frigorífico profissional para trabalhar com segurança alimentar, mas precisa do equipamento certo:
- Contentores isolados ou caixas térmicas. Não apenas para comida quente, também para fria. Uma bandeja de plástico normal perde rapidamente a temperatura num veículo quente.
- Placas de gelo ou sacos aquecidos. Placas de gelo para produtos frios, sacos aquecidos ou recipientes gastronorm numa mala isotérmica para pratos quentes.
- Um termómetro. Verifique a temperatura dos seus produtos antes de partir e à chegada. Não estime, meça. Um termómetro de sonda básico custa pouco e elimina a incerteza.
- Separação de alimentos crus e confeccionados. Certifique-se de que carne ou peixe cru nunca pode entrar em contacto com produtos confeccionados, incluindo indiretamente por derrames ou humidade.
O que registar para o HACCP
Se trabalha sob o código de higiene para catering (obrigatório quando serve comida fora da sua própria cozinha), a documentação faz parte do processo. Não tem de ser complicado. Um registo simples com os seguintes dados por serviço é geralmente suficiente:
- Data e nome do evento
- Hora de preparação e de saída
- Temperatura à saída e à chegada
- Quaisquer desvios e o que fez a esse respeito
Durante uma inspeção demonstra que gere ativamente o controlo de temperatura. Esse é o ponto do HACCP: não preencher formulários, mas controlar os riscos de forma demonstrável.
O que fazer se a temperatura desvia
Às vezes as coisas não correm como planeado. O veículo fica demasiado tempo ao sol, há trânsito, a unidade de aquecimento falha. O que fazer?
Os alimentos frios que subiram acima dos 7°C podem ainda ser servidos com segurança se o tempo total na zona de perigo tiver sido curto (menos de duas horas no total). Se esse limite foi ultrapassado, deite-os fora. Soa a duro, mas um caso de intoxicação alimentar no evento do seu cliente vai custar-lhe muito mais do que o preço dos pratos. Tome essa decisão no local, não depois.
Perguntas frequentes
Preciso de um veículo frigorífico para o transporte de catering?
Não necessariamente. Caixas térmicas bem isoladas com placas de gelo ou meios de aquecimento são suficientes para a maioria dos serviços, desde que os tempos de percurso sejam curtos e monitorize as temperaturas. Para distâncias longas ou grandes volumes, um veículo frigorífico ou compartimento de transporte refrigerado torna-se aconselhável.
Qual é a temperatura máxima para pratos frios durante o transporte?
Os produtos frios devem permanecer abaixo dos 7°C. Para artigos sensíveis como peixe, charcutaria e lacticínios, aplica-se um limite mais rigoroso de 4°C. Use um termómetro para verificar, não o seu instinto.
Preciso de um plano HACCP como pequeno caterer?
Se prepara e serve comida a consumidores, sim. O código de higiene para catering descreve um sistema HACCP simplificado que é gerível para pequenas empresas. Não precisa de um plano escrito extenso, mas tem de poder demonstrar que está a controlar os riscos.
Quanto tempo pode a comida confeccionada estar fora de refrigeração num evento?
Como regra geral: um máximo de duas horas na zona de perigo (7–60°C) ao longo de toda a cadeia. Num buffet que fica exposto durante horas, esse tempo acumula-se rapidamente. Trabalhe com pequenas porções que vai repondo, para que nem tudo fique demasiado tempo fora de refrigeração ao mesmo tempo.
E se não tiver a certeza se um produto ainda é seguro?
Deite-o fora. Os custos de uma intoxicação alimentar, em danos de reputação, responsabilidade médica e clientes perdidos, superam em muito o preço dos pratos. Em caso de dúvida, a resposta é sempre descartar.
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